quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O SOM DO CORAÇÃO (August Rush) Kirsten Sheridan - EUA 2007

Para quem aprecia a velha receita consagrada pelas novelas: um casal de ‘mocinhos’ separados ao início da trama, uma pitada de vilania, muitos e muitos e muitos obstáculos transpostos até o esperado – para não dizer previsível - desenlace final, este filme preenche os requisitos ‘novelescos’. Pois é disto que se trata “o som do coração”, junte as belezas mais óbvias e universais, música, crianças e o ‘grande amor’ e personifique-as na meiguice ingênua, na rebeldia simpática, no prodígio incompreendido. Respeite algumas regras básicas, nunca, sob hipótese alguma, reúna os ‘pombinhos’ de maneira incorruptível antes dos momentos últimos e derradeiros da narrativa e não cometa a heresia de matar um protagonista (a não ser que possa ressuscitá-lo ou algo que o valha). Pronto, aí está um filme capaz de agradar o público em geral.
Tire todos os ‘cult’ da sala, inclusive aquele que eventualmente habita em você e arrisque uma espiada. Perdoe as obviedades, tolere as incoerências, aceite as impossibilidades e deleite-se com o triunfo do bem. Para assistir no espírito comercial de margarina. “O som do coração”, é disto que o povo gosta, é isto que o povo quer: um legítimo bom filme ruim.